quarta-feira, 23 de novembro de 2011

COeuR'SOLAiRe


Tenho caminhado rumo ao pote de mel
O caminho é claro... embora ainda não tenha entendido se o sol está a se pôr ou se ainda teima em nascer. A confiança que conquistei durante a vida me faz companhia, mas vez por outra se encanta tanto com o caminho que esquece de caminhar junto a mim... chego no pote ainda com toda a vontade da partida, sem cansaço, ou sentimentos demais que me façam chacoalhar.
Minhas palavras tentam abrir a custo o caminho que meu corpo desconhece e nem sempre te vejo entender que eu não sei amar assim como queres que eu ame, isso não quer dizer que te ame menos... Isso que guardo em mim é tão forte, tão intenso, tão seguro de si, que as vezes acho que ele tem vida própria... tenho medo que fiques pelo caminho, que deixe o meu medo despertar o seu, que eu te acorde no meio de um sonho bom, que minhas limitações e falta de paciência te ressoem memórias de dias escuros.

“Que o sol esteja por nascer...
Que minha alma treine os meus braços
Que sempre que partas eu tenha a certeza do teu regresso
Que o teu sorriso subjugue meu ciúme...

Tínhamos desistido do amor
Éramos menos que um
Desisto do que fui
Troquei minhas asas... me deixei ficar...

Descobri pouso em teu colo...
                Conforto em teu peito...
Ofereceu-me a chave resolvi entrar...
                Instalar-me antes mesmo da reforma

Meu coração regenerou-se de seus traumas
Abandonou seus traços de dor
... te trago em mim...
... te quero em mim ...

Larga tudo... me traz teu sorriso
Me devolve a luz...
Joga teus fantasmas fora...
Me deixa sonhar com teus lábios...

Acalenta meu sono...

Seja feliz comigo...

                                                                                              camillu borges

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

IDOS...


Desejo a todos a sabedoria dos idos.
Que hoje seja mais que um dia pra curtir a ressaca...
Vou sofrer calado a nostálgica dor de uma saudade sem fim...
Lembrar de todos os meus amores ainda vivos em mim...
Para que eu me permita apesar do passado, ser capaz de amar um pouco mais a cada dia...
lembrarei hoje de coisas além da dor que suas mortes me causaram.
Serei capaz ainda de sorrir de todo o tempo perdido com conversas tolas, de todos os sanduíches queimados, pizzas congeladas e piadas que compartilhamos...

Saudade... Isso é uma coisa que o meu teclado não traduz...

camillu borges.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

nonSense (capitulo quarto)


Trilha sonora indicada

Jamiroquai

Half The Man



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Cap 4

CALAR, VIVER OU CALAR...

"Não é muito de meu feitio reclamar. Embora muitas das vezes eu mastigue e engula minha vontade devassa de estrangular alguém. Tenho poucos momentos apenas meus. No meio dessa balburdia lembrar-se de mim e que não devo ter personalidade, é maçante, mas sou um bom ator. Por vezes finjo que é uma festa na minha casa e que todos eles são meus amigos. Não durou muito até a fantasia me devastar..."

É eu poderia dizer que todas as pessoas são tristes e que buscam conforto no que meus braços e pernas podem lhes oferecer, quem sabe até poderia dar exemplos de pessoas vazias que parecem reger o mundo com batutas mágicas e invisíveis, mas me contentarei apenas em afirmar-lhes que a felicidade de todos é volátil demais pra ser registrada. Uma fotografia talvez possa captá-la, mas até mesmo ela se desgasta, perde a cor, o sentido e vai parar no fundo de uma gaveta, de uma garrafa de vodca ruim, num dia embolorado de nostalgias quase sacras.
Todas as noites de minha vida eu escuto sempre a mesma coisa. Sempre acho eu entrei no automático, pessoas, seus pedidos e suplicas, chego a achar engraçado. Meu sorriso já um personagem aquém de mim. Por vezes tento tomar o lugar do maestro e sempre me parece que apenas sou capaz de dar corda numa caixinha de música e que essa corda sempre acaba bem depressa. Vejo-me olhando pra uma bailarina cheia de curvas e dengos. E sempre sinto falta de algo, que remeta a uma coisa pura e branda. Sinto nessa bailarina mais rancor e gula, que uma delicada sutileza. Ela se move, pois sabe que o mundo a devora. Sei que ela se deixa levar pelo seu ar de caçadora, sei ainda que isso tudo é apenas redoma. Entendo que por mais que me doa não seria capaz de esquentar a noite aquela alma que tanto anseia e exala carinho... ou seria apenas sexo?
Antes mesmo de perceber, os “drinks” parecem surgir e terminar no nada. Com se um balé carregasse meus pés para todos os lados. Não tenho tempo de me perguntar pela felicidade. Prefiro esperar pelo salário no final da semana e pelas gorjetas no final da noite. Onde uma casa e não um lar me espera. Detesto essas pessoas que me mostram como é ruim não estar bêbado, como souincapaz de esquecer essa noite tão igual a todas as outras.
Esse rapaz sempre me incomoda. Evito olhar pra ele, sempre pede a mesma bebida, muita vodka e pouco gelo, uma fatia fina de limão so pra me dar trabalho. Fico encantado no modo como o sorriso dele combina com o copo, como aquela boneca de porcelana se encaixa nele, em como se desfaz dela, o estranho modo que tem que conquistar e destruir corações. Creio que até o fim da noite o dele também será destruído, pra que esse ciclo posa ser encerrado.
Um casal brigando, uma mulher chorando, um idiota sorrindo e eu aqui apenas servindo, servindo e servindo de paisagem. Parece que todo o garçom tem o mesmo nome, o mesmo rosto, a mesma alma. Acredito que o mundo esquece que também amamos que também temos historias e estórias pra contar. Meus ouvidos sabem funcionar menos que minha boca, posso regular o que falo mas não o que escuto. Quisera um dia ter pálpebras nos ouvidos pra poder parar de escutar so por um dia.
Ao passar pelas mesas sinto a metade de mim que deixei atrás do bar reclamar. Sinto meu peito apertado. E aquela vontade tola de gritar rasgar a roupa e tomar um beijo de uma pessoa qualquer. Talvez o álcool que transponho de um lugar ao outro tenha me afetado. Tenha me dado talvez so um pouco de coragem. Quem não quer tomar um gole de felicidade? Uma dessas que inebria a alma e te deixa leve enquanto sai do teu corpo. Essa é a parte que dói do amor, quando ele vai embora.
Esse tal de amor e essa tal piranha chamada de felicidade são como uma dose de vodka pura. Para que os possua você precisa de três coisas, coragem para enviá-la goela abaixo, estomago forte para a deixar pousar e coragem pra continuar bebendo. Ficar bêbado, feliz, amar tudo isso ate a ressaca chegar. Pena que hoje eu não possa ficar bêbado...
Gosto de ficar ocupado, muito ocupado. Bebidas pra entregar, gelo pra triturar. Pedidos especiais, de uma garotinha que não existe mais. Prefiro ficar ocupado muito ocupado ao ponto de esquecer quem sou... se sou feliz ou pra onde vou. Eu escolhi essa vida cinza, não gosto de riscos. Sinto um copo se aproximando e dessa vez meu pedido é atendido... Minha cabeça interrompe seu trajeto. Eu caio derrubo alguém e esqueço-me de quem sou... Fui vencido pela minha covardia, como tanto desejei ser mais fraco pra continuar lutando sem temer minha força.
Passei a vida procurando ser algo que jamais tive vocação pra ser... Virei brasa quando poderia viver como uma grande e suntuosa árvore.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Retalho duobus



Aqui nascem pensamentos soltos ao vento...
coisas que a brisa traz...
coisas que lágrimas levam... deixarei por aqui retalhos de mim...



O meu silencio diz tanta coisa...
Coisas que não cabem em sorrisos...
Meu silencio fala de coisas que me marcam, me machucam...
Deixam-me forte e ainda mais capaz de amar...
Meu silencio é a forma mais eloqüente de te dizer que amo.
É a mais pura expressão de mim...
Meu silencio é medo é treva que foge da luz,
 meu silencio é tudo aquilo que palavras não podem falar...
 Talvez seja você, seu toque ou o brilho de um luar...

camillu borges

domingo, 23 de outubro de 2011

MEMOIR...



De que me adianta uma vida sem detalhes...
Que mundo é esse que me suaviza os sonhos?
Lacra-me os olhos...?
Encharca-me o coração de TÉDIOS... Mantém-me numa prateleira fria...?

De que adiantam as árvores se não terei filhos?
Pra onde caminho nessa esteira maldita cotidiana?
Por que meus olhos teimam em abrir?
Diga-me que lagrimas são essas que não chorei?

Que dor é essa que não é minha?

Não te peço paz...
Não te guardo temor
Levanta-te daqui...
Afasta-te como o tempo deseja...

Quem sou eu sem minhas marcas
Sem os seus sorrisos...
O que seria de mim sem o meu passado?

Não quero morrer como as nuvens de tempestades
Não quero viver como brisas...

Sou feito de dilúvios...
                De retalhos de mim
                               Sou o resumo de furacões... Eu estou e quero sentir-me vivo...

Deixe meu amor respirar... Criar asas, e achar pouso...

Um dia te devotarei meu sorriso novamente.
Porque as magoas se dissipam com a facilidade do tempo corrido
Mas o amor e os momentos de luz... Ficarão comigo para sempre
Manter-te-ei com vida... Mesmo que essa vida passe a ser apenas minha

O que tenho sentido nada tem a ver com o que sentirei...

O passado me ensinou sua lição
O futuro já me disse que ainda não existe...
O presente já me consolou, dizendo que nunca vai me abandonar...

É o que tenho... É o que preciso... Mas ainda não é tudo o que QUERO...

“Isso não é um pranto de abandono... é apenas um afago no passado, um esboço de sorriso, uma brisa de fim de tarde, carregada de maresia do quebrar de ondas, como memórias que se desprendem dos meus fundos falsos...”


                                                                                                              camillu borges

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Retalho uno...



Aqui nascem pensamentos soltos ao vento...
coisas que a brisa traz...
coisas que lágrimas levam... deixarei por aqui retalhos de mim...


não me preserve...
não me afaste do medo...
não me devolva a redoma...
me deixe romper a casca...
me deixe ferir os joelhos...
mas não me deixe...



camillu borges.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

nonSense (capitulo terceiro)

Yolanda Be Cool 

Sing Sing Sing


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cap1  /  cap2









Cap.3
Carro, mentiras e alguns percalços...

É não lembrava mesmo, que precisava repuxar tanto esse corpo que carrego pra voltar a ser mulher e não uma coisa enrugada. Reconheceria o barulho desse carro mesmo se estivesse numa corrida automobilística. Gostaria de dizer o mesmo do meu corpo. Do alto dos meus setenta anos ficaria difícil reconhecer a furação que já fui um dia. Ele chegou...
            E como sempre esta na sala, esparramado naquela poltrona gasta e ridícula. Deve achar que eu faço parte da mobília da casa. Gostaria de um dia poder usar a desculpa de que comecei a trair por amá-lo tanto, ou por precisar chamar sua atenção. A verdade é que nunca o amei. Ele servia antes pra me satisfazer monetária e sexualmente. Hoje em dia só da conta de uma delas. Tem como único “hobbie” me encher a carteira e a paciência às vezes. Talvez ainda me tenha como um troféu de adolescente.
            Passo a mão entre seus cabelos, não é porque te traiu que deixaria de ser carinhosa. Sou uma mulher vivida, sei amar de varias formas. E não seria eu mesma se não fosse por você. Ah! Se ainda tivéssemos vinte anos... Talvez eu nem me casasse-se com você. Apesar do seu sexo e do seu carro terem me arrebatado. Aviso que estou saindo, na sua cabeça vou me enterrar no meio de um monte de outras múmias. Jogar um pouco de canastra, rir descaradamente depois de algumas canecas de cerveja ou taças de um vinho barato. Na verdade só a ultima parte é de fato verdade.
            Dessa vez eu achei as chaves sem a sua ajuda. Estou com esse carro há poucos meses e já estou farta dele. Burlando o foto sensor, correndo sempre mais que o normal. Como diz o meu analista, procurando uma morte que nunca me acha. Na verdade só procuro me sentir um pouco viva. Ainda não escolhi o bar de hoje.  Não, hoje eu vou ter meu próprio troféu. Penso como se já não tivesse pensado nisso antes.
            Chego ao bar, meu grupo já esta aqui, meus olhos esquadrinham tudo que esta ao meu alcance e muitas vezes o que não poderia estar também. Crio milhares de ilusões, alguns tapetes vermelhos e tudo mais, sem holofotes dessa vez. Tenho aprendido que segredos podem ser ótimos amigos. Aqui eu me sinto viva. Volto alguns anos e minhas rugas somem. Noto que o safado esta no bar. Sempre detestei vodka, e a essa altura ainda não sabia que viria a detestar quem a tomasse também. Verifiquei o celular, dentro da bolsa, o inferno de sempre, dessa vez até meia calça extra eu encontrei lá. Acessórios e tudo mais, afinal a noite promete e tem mais é que cumprir. Eu mereço só por usar essa coisa imbecil que deixa gostosa, mas não me deixa respirar.
            Meu jeito infalível de dizer “você é meu”. Sei que o garçom deve me achar uma velha safada e insolente. A marca da aliança, que já nem faço questão de esconder, me denuncia. Embora atenda os meus caprichos, não gosta de lembrar, pelo que sinto, das minhas caricias. Homens são criaturas estranhas. Gostam de serem domados, mas não de admitir que o foram. Ainda mais se for na cama. Eu nunca refreio uma gargalhada maliciosa quando devoro um belo homem, e noto que ele se deixou dominar a custo. O barulho que arranco deles é meu elixir de juventude. Meu marido nunca foi muito bom nisso. Sempre se manteve inerte. Ele passa e não resisto, me farto numa “bundinha” dura.
            E hoje ele não me escapa. Está tudo pronto pra que ele caia na minha teia. O “drink” perfeito. Ele me acena ao recebê-lo, bom sinal lembra-se de mim... dos presentinhos da semana anterior. Esse foi particularmente delicioso de se conquistar. Sempre me passou a impressão de se deixar encantar. Na cama foi um verdadeiro mestre, soube me deixar com vontades... fabricou meu elixir, mas senti que ele não estava lá apenas comigo. Seu sorriso me embala com um velho e gasto blues... me deixa frívola...
            Noto que tem algo mais decidido em seu andar, agora não era mesmo uma boa hora pra que ele se aproximasse. Tenho outros planos além dele. Temo pelo rapaz que seria meu jantar da noite. Toca-me, fala algo com uma voz de trovão, porém doce. Eu já praticamente bêbada, não saberia nunca dentro daquele tufão, controlar meus atos. O outro sumiu. Meu corpo parecia agir sozinho. Eu orquestra ele maestro. Minha bolsa vai ao chão, rapidamente é devolvida ao meu colo. Toco suas mãos, o sinto tímido. Noto que poderia ter mais idade que sua mãe. Nunca tocamos nesse assunto. Sai vai ao banheiro e tenho tempo de relembrar da textura, que tem uma bunda como a sua.
            Nunca soube envelhecer.  Detesto médicos, rugas, cabelos brancos, as tais dores da idade que nunca senti. Começo a rir alto, a chamar tanta atenção quanto se pode... lembro que minha casa é perto do bar, penso que loucura seria se a minha múmia particular pudesse me ver agora... nunca vou me perdoar por ter pensado isso. Escuto o barulho do motor... as suas chaves. Sua voz numa única palavra. E penso que pareço mais uma lontra, mas uma vaca? Quanta imaginação... penso milhares de coisas, em dizer a ele outras milhares desagradáveis, não sei se realmente disse algo... Embora sinta que meu casamento de imperfeições congênitas acabou numa mesa de bar.
            No carro de volta não sei pra onde, a minha guerreira se desfaz em lagrimas como desfiz alguns postes e muros, não sabia que meu sangue poderia ter uma cor tão linda. Amaldiçôo-me. Nem nesse momento eu senti dor ou medo. Não pretendo abrir os olhos. Vivi sempre uma mentira colada na outra. Meus filhos não precisam mais de mim, o mundo não é um lugar tão colorido se você mesma não pintar ele com algumas mentiras. Se eu fui uma mentira ou não, isso não importa. Desde que eu morra pra virar uma boa pessoa. Não, eu não vou mais abrir meus olhos. Foi o que disse desde sempre. Vivi uma bela e furada mentira, mas vivi mais que a maioria, mentira pra ti, verdade pra mim... sempre foi assim...


Continua...

camillu Borges
insolação é meu preferido estilo de vida...