domingo, 20 de fevereiro de 2011

O carregador de sonhos



Acostumei-me aos seus pedidos de socorro, mesmo aqueles em que sua voz não era amigável. Entendi que tem dias em que a lua não brilha pra todo mundo do mesmo jeito. Busquei ser um sol, e mesmo que sem vocação apontei caminhos menos perigosos. Fiz minhas escolhas sem me preocupar com os estragos que fariam em meu corpo. Era apenas a minha alma que me importava. Depois de crescido agente entende o que eu sempre soube, que nosso peito é apertado demais pra absorver tudo o que sentimos. Por isso dividir sempre foi uma tarefa difícil, tinha muito pra dividir sem saber por onde ou como começar. Passei pelas coisas que todos passam uma hora outra na vida. Pulei alguns degraus, arranhei alguns joelhos, mas fui feliz. Fui tão feliz quanto um “Camillu” pode ser. Todos nos temos os nossos demônios, mas o meu ninguém merece, de fato.
Coisas curiosas aconteceram ao longo do meu caminho e embora a maioria tenha sido por acaso sempre dei um duro danado pra que meus passos sempre estivessem claros, sempre fiquei vigilante pra que não me desviasse de mim. Sempre que possível contem com ajuda de amigos, muitas vezes mais fiéis a eles que a mim. Sempre preferi que fosse assim. É sempre bom ter pessoas mais seguras que você por perto, elas sempre te ensinam algo. Construí um muro ao redor de mim. É tão vago e mal iluminado aqui dentro que poucos chegam a enxergar um pouco de verdade em meu olhar. Sempre tão sombrio eu aprendi a ser, tão cedo canalizei forças velhas, tantos de mim que ficaram pelo caminho. Tanto que perdi, seria possível recuperar?
Seus olhos marejados por vezes de sangue. Não fazem mais parte de mim, os seus medos, nem suas dores. E mesmo que me faça acreditar que seus machucados são mais antigos que eu. Mesmo que eu seja mais antigo que você inteira. Meus sonhos nasceram antes, meus rios ultrapassam tuas fronteiras. Não derramei minha vida em ti, deixei de povoar teu ventre, só te peço que não me abandones... Que nossos caminhos possam ser completos. Que entendamos que a vida é uma via em que os buracos podem, mas não devem ser constantes. Que acidentes sempre fortalecem. Que a morte sempre é uma amiga de que não esperamos presentes no natal. Que tudo é uma simples questão de escolha.

E a Deus peço meu perdão por usar tanto de meu LIVRE ARBITRIO para guiar a minha vida...
É a Deus a quem agradeço por minhas conquistas...
E a mim quem castigos por meus males, duvidas, medos e limitações...

Tenho a fé inabalável de quem sabe que não é eterno, estou aprendendo a enxergar coisas mais importantes que eu mesmo, mais importantes que a minha própria vida. Espero que também encontres um dia...



camillu borges

sábado, 8 de janeiro de 2011

In suplica rossa

Numa noite sem lua
                Num motel vagabundo
                               Num momento nada oportuno.
Quis-me teu...

De sorrisos em sorrisos, meu peito te sorveu.
Nada contento meu trono tomou
E dele não pretendo q saias...

Tenta-me... Mate-me...
                Fere-me... Cura-me...
                               Faz-me teu... Prenda-me por minha vontade...

Lascivo desejo de ter
Permissivo desejo de ser
Marciano desejo mais meu
                                                                                  Medo do desejo latente...

Que o tempo se deixe passar
Que a intensidade fique
Que a maturidade não nos mate
Que meus frutos sejam vistos a luz de dias que sejam nossos

Que a intempérie humana não perturbe
 Nossas nuvens...
... De praia em sábados de sol
                ... Rosadas ao anoitecer na eternidade de nossos sonhos
                               ... de sonhos e beijos roubados
                ... que não matem as castanholeiras rosas
                               ... que todo o tempo do mundo curve-se

                                               Que enfim confies em mim... que enfim possas dizer
                                                                                                              Sentir... ser...

                                                                                                               camillu borges



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

IN LIVAS


Olhos meus, no puro medo de ancorar meus sonhos em teu peito...
Com medo do caminhar solitário por estradas que prejulgo nossas...
E meus anseios de beijos molhados
            Satisfeitos por serem teus... Por morrerem por ti... Em ti.

Em dias que compõem metáforas de realidade reluzentes
Teus olhos dentre os meus me fazem rir e ver além
Das curvas de sorrisos sem desatento temor
Sejam tuas as sinfonias que me arrastem
            Que me matem... Que me gozem...

Presa fácil de cada movimento teu
Onde teus felinos passos me enredam a noites sem lua
Com uma escuridão amiga a encobrir meus passos
Onde o secreto nosso te refaz em gozo

Trago teu cheiro em mim
            Teu gosto na boca...
                        Tu na janela da arfante bomba de sangue que reside em meu peito.
Quero te carregar comigo pro resto da vida
Deixar que os planos não me matassem de ti
Esse passível me recusa era plano meu

Que o seu mundo possa me engolir
Que a vida te traga pra mim
Que os medos sejam racionados a mesma medida que as vontades cheguem
Que o mundo tape seus ouvidos pra que sua voz seja minha
Que teus ecos sejam amplificados por mim
Que a pressa de quem sabe que a vida é finita nos entenda
Que meus limites sejam maiores que os teus
Que a realidade perdure você em mim

Que seja... tu , eu e o tempo que tiver por vir...

                                                                      camillu borges

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ainda bem... Vanessa da Mata

gostaria muito hoje de escutar essa música e não me sentir profundamente triste... eu te amo será que você nunca mais vai voltar a notar ...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Voou sem pensar em voltar

Meus olhos voltaram a te enxergar
Meu peito voltou a arfar teu perfume
O perfume do teu corpo ainda sobre o meu
Ainda sou viciado em ti em cada olhar bobo
Dependente de cada afago que não existe mais

Sinto falta do mar de olhos
Das luas sem fim
Das noites sem céu
Dos medos de mim

Uma conversa pra reascender tudo o que fiz cochilar
A criança que ainda grita
Mas já não sabe chorar
Um fim que não houve
Um largo passo que me depôs

Vidas que correm sem se esbarrar
Entrelaçadas pelo acaso de uma sorte que nunca chega
De apertos que nunca se vão
De vontades que nunca morrem

A felicidade de deixar-te livre
Não me refaz. Acompanhou-te em meu credo
Deixou-me definhar e escorregar por entre teus sonhos
Minha vida é estranha a ti

Sou incompatível a um certo nós
E ainda hoje me custa te matar pouco a pouco de mim...
Cada pedaço que se desfaz
A cada lágrima que recai sobre meus planos parcos

Sinto a falta de um você que ainda percorre em meus sonhos
De noites mais agradáveis repletas do seu olhar
Sei que a morte minha de teu peito já te visitou
Sei que sem esforço retirou-me de ti

 Deixei-te livre, pois amei
Tento te odiar por não ter voltado
Mas foi ai que encontrei minhas falhas
Por mais que eu tente te arrancar de mim, ainda estas intacto teu lugar
Não me negue a sua luz

Mas talvez seja a hora de ir...

Espero que você nunca leia isso não estou me desfazendo em drama
Só queria voltar no tempo e te ter outra vez
E temeria não te deixar ir
E definhar te vendo ficar em abandono sóbrio

                                               camillu borges

sábado, 6 de novembro de 2010